Por: Anderson Gonçalves
Nos últimos dias não se ouviu falar em outra coisa, por parte dos meios de comunicação, senão em dinheiro, dinheiro (!), propostas milionárias, salários exorbitantes. Fala-se em algo em torno de 3 milhões de reais por mês (@#$%!), para a contratação de um único apresentador, o Augusto Liberato, popularmente conhecido como Gugu, pela Rede Record de Televisão. Já Senor Abravanel, dono da emissora que é a principal concorrente dos bispos, ataca de outro lado, contratando tudo o que o dinheiro pode contratar, com salários não tão menos extravagantes.
Mas o que faz um seleto grupo de pessoas serem merecedoras de tais gratificações, para muitas vezes, trabalharem apenas 4, 5 horas semanais, enquanto a absoluta maioria dos cidadãos trabalhadores labutão por mais de 160 horas, todos os meses, para garantir o seu pão de cada dia, com salários que por vezes são humilhantes.
Enquanto uma fatia generosa do bolo vai para as “pequenas” elites, migalhas é o que resta para a grande massa da sociedade. E quem paga o pato, no final das contas? Esta é apenas uma busca desvairada pela atenção do público (povão), mas o público em nada se beneficia, apenas assiste esse banquete tão farto, enquanto o seu prato está vazio.
Está certo, que constitucionalmente falando, não é crime, socialmente falando, não é antiético. Vivemos em um mundo capitalista, e isto é o que acontece quando o sistema impera. Porém, não deveria ser apenas uma questão de consciência, de valor humano, uma distribuição de renda um pouco menos imoral?
No país em que vivemos, já virou algo algo tão corriqueiro vermos uma criança de pés no chão, e um cidadão de jatinho fretado...
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Salários imorais, num país de misérias
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